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O risco das misturas caseiras! ABIPLA

Deixemos a química para os químicos!!!

Considerado um dos principais nomes da história da toxicologia, Paracelso, médico e alquimista suíço do século 16, foi precursor no uso de minerais e elementos químicos na formulação de remédios que, até então, eram feitos, em sua maioria, à base de ervas.

Com pequenas doses de substâncias perigosas ao homem, como enxofre, ferro, cobre e mercúrio, teve grande sucesso no controle de infecções e diversos tipos de doenças.

Ele defendia que os médicos deveriam investir parte de sua formação na construção de um sólido conhecimento em química e que a medicina poderia ser revolucionada com o uso adequado das formulações.

A história provou que ele estava certo.

Conhecimento em química tem contribuído para uma grande melhora na saúde pública e expectativa de vida das populações, de todo o mundo, ao longo dos anos e, como representante da Abipla, sei o quanto é complexo e trabalhoso o processo de desenvolvimento de fórmulas até que tenhamos o produto perfeito para as nossas necessidades.

E é por isso que defendemos, com tanta veemência, que a manipulação de produtos químicos esteja restrita apenas aos profissionais com formação na área – que, além de ser uma exigência legal, garante importantes ganhos em saúde pública.

Em parceria com o CFQ – Conselho Federal de Química, a Abipla tem mantido uma campanha permanente de conscientização contra as chamadas “misturas caseiras” para limpeza.

Produtos químicos, como os saneantes, podem ter diferentes tipos de reações quando manipulados e, dependendo da mistura realizada, podem gerar gases tóxicos, danos a objetos e superfícies e até explosões, além de intoxicações diversas.

Durante a pandemia, notamos um aumento no número de influenciadores de internet e até mesmo de veículos de imprensa que falam sobre fórmulas de limpeza.

Muitos dizem que suas receitas limpam melhor ou são mais perfumadas do que os produtos pronto-uso, disponíveis no mercado brasileiro. Mas não observam que esse tipo de conteúdo pode gerar danos à saúde das pessoas.

Intoxicação por mistura de produtos

Prova disso é que, em maio de 2020, a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a Nota Técnica 11/2020, alertando sobre um aumento de 23,3% nos casos de intoxicação de adultos por produtos de limpeza em relação a 2019. Já a intoxicação de crianças, pelos mesmos itens registrou crescimento de mais de 6%.

Isso, claramente, tem grande relação com a manipulação inadequada de saneantes, tanto que, na própria Nota Técnica, das nove recomendações que a Anvisa enumera, duas são relacionadas ao manuseio dos produtos:

• Ler e seguir as instruções descritas no rótulo do produto.

• Evitar a mistura de produtos químicos.

Estas, por sinal, são as duas regras que são um verdadeiro mantra em nosso setor.

Os manipuladores de produtos de limpeza devem seguir sempre as instruções contidas nos rótulos, seja em relação a EPIs – Equipamentos de Proteção Individual, cuidados com a superfície que receberá o saneante ou no respeito às proporções de diluição registradas nas embalagens, sem misturar com outros produtos que não constem na rotulagem.

Até porque, como o próprio Paracelso dizia alguns séculos atrás “somente a dose correta diferencia o veneno do remédio”.

Combate à desinformação

Por isso, não custa repetir que todo saneante regulamentado no Brasil deve ter, de forma obrigatória, o número de notificação ou registro na Anvisa, que implementa testes de eficácia, de estabilidade e de segurança, o que faz com que passe por um rigoroso controle de qualidade antes de chegar às casas e empresas brasileiras.

Além disso, cada um desses produtos tem aplicações específicas e tudo o que precisamos, quanto a informações sobre sua composição e uso, consta nas embalagens.

Seguindo esse caminho, a intenção da parceria da Abipla com o CFQ, no combate à desinformação na manipulação dos saneantes, tem, como objetivo, a preservação da saúde pública e a orientação da população sobre os perigos de se realizar formulações de produtos químicos sem o conhecimento necessário para isso.

Entendemos que é preciso, também, desenvolver um trabalho quase pedagógico junto aos formadores de opinião/veículos de imprensa, já que o conceito de produto químico é amplo e envolve itens de fácil acesso à população, como água sanitária, detergentes, vinagre ou álcool para limpeza.

Temos a certeza de que, com posse das informações corretas, os brasileiros escolherão o bem da saúde pública e evitarão o uso de misturas caseiras de limpeza e de produtos clandestinos.

Vamos em frente!

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