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Seminário aborda importância de fármacos e desafios na produção na CLAQ 2022

A relação entre fármacos e saúde humana esteve no debate de um seminário realizado na quarta-feira (16) durante o 35º Congresso Latino-Americano de Química (CLAQ 2022)

A relação entre fármacos e saúde humana esteve no debate de um seminário realizado na quarta-feira (16) durante o 35º Congresso Latino-Americano de Química (CLAQ 2022), no Rio de Janeiro (RJ), realizado entre os dias 14 e 18 de novembro. Os professores doutores Adriano Andricopulo, da Universidade de São Paulo, e Núbia Boechat Andrade, da Farmanguinhos/Fiocruz, dividiram o microfone para falar sobre “Química, saúde e os fármacos do século XXI” e “Carência na produção interna de fármacos: impactos na produção farmacêutica pública”.

Adriano conduziu o discurso explicando, de forma resumida, como se chega aos fármacos. “O papel da Química é essencial quando se fala nesse assunto”, afirmou. Na opinião de Adriano, “os fármacos promovem saúde humana, mas é preciso localizar a importância do assunto dentro do desenvolvimento sustentável”, alertou, fazendo um gancho entre o assunto e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ODS/ONU).

O professor apresentou uma linha do tempo de produtos da indústria farmacêutica que contribuíram para o aumento da expectativa de vida, que passou de 40 anos, na década de 1940, para cerca de 80 anos, na década de 2020. “Houve muitos avanços tecnológicos por meio da Química nesse sentido”, lembrou.

O mercado de fármacos, ainda segundo Adriano Andricopulo, movimentou cerca de US$ 1,4 trilhão. “E esse montante vem aumentando, mostrando o poder desse mercado. Todo mundo precisa de medicamentos. Sem saúde não há vida, não há desenvolvimento econômico. Os fármacos contribuem para o aumento da expectativa de vida”, argumentou.

Ele fez um alerta para os medicamentos que deveriam tratar Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN’s), já que “alguns não funcionam mais, precisamos inovar”. Entre as DTN’s, estão hanseníase, dengue, leishmaniose, esquistossomose, raiva humana transmitida por cães, escabiose (sarna), doença de Chagas, parasitoses intestinais e tracoma.

“É possível fazer fármacos do século XXI, explorar o espaço Químico, sintetizar moléculas, catalogar, realizar testes para diversas utilidades terapêuticas”, resumiu.

Núbia Boechat explicou como é a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), termo mais conhecido durante a pandemia de covid-19, e diferenciou a indústria fármaco da indústria farmacoquímica. “São coisas bem diferentes. A primeira precisa da indústria Química para os processos. A base de escala é um grande desafio e isso requer Profissionais da Química muito bem treinados”, ressaltou.

O setor farmacêutico brasileiro movimenta, por ano, aproximadamente US$ 28,55 bilhões. O setor farmacoquímico, de acordo com dados trazidos por Núbia, é responsável por exportar US$ 388 milhões, importar US$ 11 bilhões e registra déficit de US$ 2,8 bi.

A professora apresentou um histórico sobre políticas que impactaram a produção de IFA no Brasil. Na década de 1980, havia várias políticas de incentivo à cópia e produção desses fármacos. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (ABIQUIFI), o país chegou a produzir 50% dos IFAs consumidos. Em 1990, porém, o governo vigente extinguiu a reserva de mercado, passando a priorizar a importação. “Dessa forma, poucos laboratórios mantiveram capacidade de produção de fármacos. A indústria nacional de capital privado se limitou a copiar medicamentos, sem investir em pesquisa e desenvolvimento em fármacos”, disse.

A partir de 2020, ano em que foi decretada a pandemia de covid-19, houve aumento na demanda da indústria farmacêutica por insumos necessários ao combate da doença. Houve, dessa forma, queda na procura de outros medicamentos. “Após o convívio social, as doenças voltaram a circular e a demanda por medicamentos cresceu, encontrando o setor farmacêutico desestruturado”, lamentou. Conforme Núbia, a guerra na Ucrânia também contribuiu para esse cenário.

Sobre as DTN’s, a professora destacou algumas informações. “São poucos os produtores internacionais de IFA, que não atendem as normas sanitárias do Brasil. Isso torna a produção de medicamentos para essa doença muito vulnerável”, finalizou.

Congressos

O 35º Congresso Latino-Americano de Química e o 61º Congresso Brasileiro de Química são realizados entre os dias 14 e 18 de novembro no Hotel Windsor Florida, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O evento, 100% presencial, conta com conferências, palestras, debates e minicursos e recebe participantes de todo o Brasil e da América Latina.

O Sistema CFQ/CRQ’s participa do evento com o objetivo de destacar a importância da Química e dos Profissionais da Química para sociedade, indústria e setores relacionados.

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