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Professor debate função social da educação Química durante Congresso no RJ

A democratização e a função social do ensino da Química na escola foram alguns dos tópicos do encontro temático comandado pelo professor e doutor do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) Alvaro Chrispino, dentro do 35º Congresso Latino-Americano de Química (CLAQ 2022), realizado na capital carioca entre os dias 14 e 18 de novembro.

“Em busca da função social da educação Química” é um dos momentos promovidos pelo CLAQ 2022, que também sedia o 61º Congresso Brasileiro de Química (CBQ). O Sistema CFQ/CRQ’s participa do evento com o objetivo de destacar a importância da Química, da Ciência e da Pesquisa para sociedade, indústria e setores relacionados.

Alvaro Chrispino fez um retrospecto de quando ele, enquanto professor, já alertava para alguns problemas que “infelizmente se concretizaram”. “Ou a gente forma futuros cientistas ou cidadãos críticos”, lamentou.

“É um equívoco pensar que uma sociedade cientificamente alfabetizada está em melhor situação para atuar nacionalmente frente aos problemas sociocientíficos. Isso ignora a complexidade dos conceitos científicos envolvidos, como os problemas do aquecimento global ou das recentes descobertas da biotecnologia”, complementou.

Segundo dados apresentados por Chrispino, os cursos de maior redução de formados, entre os anos de 2016 e 2020, foram os de Biologia e Química. “Não temos alunos buscando carreiras científicas, de professores. Isso mostra que o projeto defendido nesses anos não teve resultado”, destacou.

Atitudes como negacionismo e “terraplanismo”, conforme lembrou o professor, podem ter contribuído com essas estatísticas. “Falhamos na formação de cientistas, falhamos de alguma forma. A cloroquina aconteceu, a ivermectina aconteceu, o terraplanismo, o negacionismo. Vivemos um momento muito difícil e estranho. O caminho que trilhamos não trouxe os resultados que esperávamos”, afirmou.

Mas na perspectiva do professor, há alternativas que podem mudar esse cenário. Ele apresentou algumas estratégias que podem promover a função social do ensino da Química. Entre elas, a Proposta de Marzábal et al, da PUC do Chile, que prevê que matéria, reação Química e termodinâmica possam orientar a formação de discussões do cidadão. “Isso pode levantar questões interessantes. Podemos até não concordar com todas as ideias, mas elas podem orientar e ajudar a produzir alternativas a partir do lugar de onde falamos”, sugeriu.

Outro experimento apresentado foi o de Vicente Talanquer, que propõe discutir a formação cidadã a partir de três eixos, melhorando o ensino da Química e oferecendo conhecimento e formação crítica. “Não negamos o conhecimento, mas o ‘para quê’ disso tudo é a nossa reflexão.” O Tetraedo de Sjöström foi mais um exemplo citado, tendo o elemento humanístico inserido na discussão científica. “Professores e alunos são, acima de tudo, cidadãos, formados na mesma dinâmica em que interferem na nossa sociedade”, explicou Chrispino.

E finalizou falando sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ODS/ONU), de como trazer os temas propostos pela iniciativa da organização mundial pode melhorar a função social da Química. “São temas que podem fazer parte das reflexões, como produtores de conhecimentos científicos. Mas tudo isso feito com visão humanista, pois não existe ciência neutra. Se não formos capazes de identificar que grupos serão valorizados com essas discussões e descobertas, precisamos refletir”, disse.

Estudos

A palestra ainda abriu um espaço para apresentação de alguns estudos e pesquisas de doutorandos, são eles: “A discussão da BNCC em um curso de licenciatura em química: para além dos slogans oficiais”, de Edilson Fortuna de Moradillo (UFBA); “El aprendizaje de la fitoquimica a través de la Investigación y los videojuegos, de Alessandro Silva de Oliveira (IFG); “A experimentação envolvendo alunos com deficiência visual como proposta para minimizar os efeitos causados pelo Ensino Remoto Emergencial, de Gustavo Nobre Vargas (UFG); e “Influência de um Vídeo de divulgação científica de Química na percepção de estudantes do ensino médio em relação à pesquisa científica universitária em Química e na motivação para aprender Química”, de Franciani Cássia Sentanin (IQSC-USP).

Congressos

O 35º Congresso Latino-Americano de Química e o 61º Congresso Brasileiro de Química são realizados entre os dias 14 e 18 de novembro no Hotel Windsor Florida, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O evento, 100% presencial, conta com conferências, palestras, debates e minicursos e recebe participantes de todo o Brasil e da América Latina.

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