Entrevista com Rodrigo Moura, coordenador da Comissão Nacional de Fiscalização do CFQ, repercutiu em 108 emissoras de rádio do país e reforçou os riscos à saúde e ao meio ambiente, além da importância da regularização sanitária e da atuação do Profissional da Química.
Na hora das compras de supermercado, preço e marca costumam pesar na decisão do consumidor. No entanto, a busca por economia ao adquirir saneantes pode esconder perigos graves para a saúde pública e para a integridade dos lares. O alerta foi feito por Rodrigo Moura, coordenador da Comissão Nacional de Fiscalização (CFISC) do Conselho Federal de Química (CFQ), durante entrevista veiculada no programa A Voz do Brasil, que alcançou expressiva repercussão ao ser replicada por 108 emissoras de rádio de Norte a Sul do país.
A pauta ganhou tração após medidas recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proibiram a fabricação e a comercialização e, conforme cada caso, determinaram a apreensão de produtos de limpeza irregulares — entre eles alvejantes, tira-manchas e produtos à base de percarbonato de sódio. As ações alcançaram itens sem regularização sanitária, de origem desconhecida ou fabricados por empresas sem a devida Autorização de Funcionamento (AFE).
Durante a veiculação, Rodrigo Moura foi enfático ao pontuar que o uso de saneantes sem procedência comprovada ou de origem clandestina coloca a população diante de uma incerteza técnica de alto risco: “Quando você tem um produto clandestino, você não tem exatamente a certeza da matéria-prima utilizada nesse produto, você não tem certeza com relação aos processos químicos que foram utilizados na concepção do produto. Você não tem informações sobre manuseio, condições de descarte, advertências e o que fazer em caso de intoxicação”, advertiu o coordenador da CFISC.
O papel essencial do Profissional da Química e da fiscalização
Ao contrário dos saneantes regularizados, os produtos clandestinos não oferecem evidências verificáveis de que sua composição, concentração, estabilidade, eficácia, embalagem e rotulagem atendam aos requisitos sanitários. Essa falta de controle pode resultar em formulações ineficientes ou incompatíveis, concentrações inadequadas de ingredientes ativos, queimaduras químicas, irritação ocular e respiratória, intoxicações e impactos ambientais decorrentes do uso ou do descarte incorreto.
A divisão de competências também precisa ser observada. Nos termos da Lei nº 2.800/1956 e da Resolução Normativa CFQ nº 36/1974, o Sistema CFQ/CRQs fiscaliza o exercício profissional e verifica a habilitação e as atribuições dos Profissionais da Química, bem como a regularidade das empresas sujeitas a registro. A Anvisa e os demais órgãos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, por sua vez, regulam e fiscalizam os produtos e os requisitos sanitários aplicáveis. Nesse arranjo, o Responsável Técnico supervisiona as atividades químicas dentro dos limites de suas atribuições profissionais e contribui para o controle de matérias-primas, processos, especificações físico-químicas, estabilidade e qualidade. Essa atuação, integrada ao sistema de qualidade da empresa e à fiscalização sanitária, reduz riscos e amplia a rastreabilidade dos produtos.
Como o consumidor deve se proteger
Para evitar armadilhas e riscos dentro de casa, o Conselho Federal de Química recomenda atenção redobrada no momento da compra de saneantes:
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Fonte: https://cfq.org.br/noticia/na-voz-do-brasil-cfq-alerta-para-os-riscos-dos-saneantes-clandestinos/