Institucional
Notícias

Elas fazem a diferença: Mulheres da Química dão exemplo e contribuem para revolucionar a área da saúde

No mês da Mulher, é tempo de celebrar – e lutar – pelo reconhecimento e a valorização feminina na sociedade. A presença delas na Ciência, e na Química em especial, é um grande momento para evocar também o papel das mulheres em um segmento em que os profissionais da Química em geral ainda não são valorizados: a área da saúde.

As mulheres da Química têm uma propensão em direcionar, historicamente, suas pesquisas para melhorar a saúde das pessoas e facilitar o cuidado aos doentes. Os estudos da onipresente Marie Curie, única cientista, entre homens e mulheres, a vencer o Nobel em duas áreas da Ciência – a Química e a Física –, são pródigos em aplicações na medicina. Insatisfeita em apenas desempenhar pesquisas acadêmicas, Marie Curie foi a campo em plena Primeira Guerra Mundial. Sua contribuição para o desenvolvimento dos raios-x e para a difusão da radiografia seria reforçada por sua disposição de ajudar os feridos, criando o primeiro carro-radiologista e que levou sua tecnologia literalmente até os campos de batalha da Europa.

Os exemplos das profissionais da Química de grande contribuição para a área da Química são inúmeros. Um muito importante é o da bioquímica americana Gertrude Elion, a “Trudy”. Ela recebeu o Nobel de Medicina ao lado do colega George Hitchings em 1988. Sua contribuição para a Medicina é gigantesca ao persistir na ideia de criar um antiviral realmente eficaz, contra todo o ceticismo do universo científico de metade do século XX.

Menina de origem humilde, às suas naturais dificuldades se juntou o preconceito de gênero. A própria relação com o colega laureado, Hitchings, não se passou sem que ela se sentisse “sombreada” pela presença masculina na dupla. Trudy afirma, inclusive, que foi apenas depois de se aposentar e deixar de trabalhar no laboratório ao lado dele que ela foi capaz de mostrar o valor da Ciência que fazia – e o valor era imenso. De sua mente brilhante surgiram diversos medicamentos antivirais que estão em uso até nossos dias.

A cereja do bolo, definida por ela, foi a aciclovir: um antiviral poderoso no combate à herpes, um nucleosídeo sintético análogo da purina e que serviu de modelo para outras drogas medicinais. Até sua morte, em 1999, ela participou do desenvolvimento de diversos antivirais, entre ele o AZT, o primeiro medicamento a trazer alento aos pacientes de AIDS, no fim dos anos 80.

Do outro lado do Oceano Atlântico, uma química britânica de vida efêmera e intelecto brilhante abalou as bases da Ciência ao criar as condições para o entendimento de estruturas moleculares complexas como o DNA e o RNA, além de vírus. Rosalind Franklin morreu aos 37 anos e muitas das contribuições dela para a Medicina e a Biologia foram reconhecidas postumamente.

Não só no passado a participação feminina foi fulgurante: as pesquisadoras Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna venceram o Nobel 2020 de Química pelo desenvolvimento do método de edição do genoma chamado CRISPR (da sigla, em inglês, Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas). A tecnologia desenvolvida pela dupla, respectivamente uma francesa e uma norte-americana, permitiu avanços da edição do genoma, permitindo alterações no DNA de animais, plantas e microrganismos com precisão.

Ao falar da participação das mulheres da Química no campo da saúde, não se pode deixar de fazer um novo tributo à família Curie: Irène Joliot-Curie, filha da célebre Marie, venceu o Nobel de Química de 1935 pela descoberta da radioatividade artificial. A partir dos trabalhos dos pais de Irène, Marie e Pierre, se criou uma demanda por materiais radioativos na Medicina que acabou tornando-os caros demais. Irène et Frédéric, seu marido e ganhador do Nobel ao seu lado em 1935, trouxeram a solução no desenvolvimento dos radioativos artificialmente constituídos, barateando a prática e permitindo a milhares de pessoas terem acesso às radiografias.

Dentro do Brasil, as mulheres que atuam na Química também ganham destaque no que tange ao trabalho em saúde. Um exemplo disso é a pesquisadora Carolina Horta Andrade, que possui doutorado em Química Medicinal e Computacional e que possui várias contribuições na Química Medicinal.

Em 2022, Carolina recebeu o prêmio Prêmio Mulheres Brasileiras na Química, da American Chemical Society (ACS) e SBQ. Ela desenvolveu estudos com a utilização de inteligência artificial para a descoberta de novos medicamentos contra doenças negligenciadas e vírus emergentes — como leishmaniose, esquistossomose, tuberculose, malária e zika. Além de Carolina, outras duas Químicas com destaque na saúde foram premiadas: Thais Guaratini e Ohara Augusto.

Para a coordenadora do Grupo de Trabalho “Mulher na Química” do Conselho Federal de Química (CFQ) e integrante do Comitê de Atuação Profissional (CAP), conselheira federal Ana Sayd, a história dessas profissionais se constrói cotidianamente, em um processo lento mas importantíssimo.

“A cada fórmula, análise e descoberta, as mulheres Químicas na área da saúde constroem um capítulo crucial da nossa História. Desde o desenvolvimento de medicamentos inovadores até a garantia da qualidade de produtos essenciais, seu trabalho impulsiona o progresso científico. Nosso reconhecimento e profunda gratidão por sua dedicação moldam o presente e o futuro da saúde global. Sua paixão e conhecimento iluminam o caminho para um futuro mais saudável para todos”, afirma Ana Sayd.

Já a Dra. Raquel Fiori, conselheira federal de Química e coordenadora do CAP do CFQ, acredita que a presença das mulheres da Química nos laboratórios em favor da saúde é mais um exemplo de que, para elas, nenhuma barreira é empecilho à sua capacidade de inovar.

“Os novos tempos trouxeram às nossas mulheres cientistas, principalmente as que atuam na área da saúde, desafios que as levaram a desbravar novos territórios científicos. Ao mesmo tempo, elas travam suas lutas contra o preconceito e trazem sua contribuição, seja no desenvolvimento de medicamentos inovadores, seja na criação de técnicas diagnósticas avançadas, o que impacta diretamente na qualidade de vida de milhões de pessoas”, assinalou Raquel.

Você sabia que, apesar dessa enorme contribuição, profissionais da Química não são reconhecidos como profissionais da saúde?

Para surpresa de muitas pessoas, em que pese seu papel decisivo no desenvolvimento de medicamentos e tratamentos médicos, os profissionais da Química não são considerados profissionais da saúde.

Um projeto do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), propõe a inclusão dos profissionais da Química nesse rol, entre outras categorias afins à temática da saúde. Em seu projeto de lei, Petecão justifica a inserção dos profissionais nos seguintes termos: “esse reconhecimento é essencial para destacar a importância do trabalho interdisciplinar e fortalecer a contribuição dessas profissões no cuidado integral à saúde”.

O presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, é defensor da inclusão dos profissionais da Química e já peticionou junto ao Conselho Nacional de Saúde a inserção. No documento, ele menciona as diversas atividades dos profissionais da Química na área, como gerenciamento de resíduos, radiologia, segurança do trabalho, lavanderia hospitalar e tratamento de água. Oliveira faz também menção à atuação dos profissionais da Química no combate à pandemia da Covid-19.

Fonte: https://cfq.org.br/noticia/elas-fazem-a-diferenca-mulheres-da-quimica-dao-exemplo-e-contribuem-para-revolucionar-a-area-da-saude/

Conselho Regional de Química 2ª Região

Minas Gerais

 Rua São Paulo, 409 - 16º Andar - Centro, Belo Horizonte - MG - 30170-902

 (31) 3279-9800 / (31) 3279-9801